
Andrea Belotti, 31 anos, Cavaleiro da Ordem de Mérito da República italiana, atual jogador do Benfica, é uma das figuras emblemáticas do Torino, clube que representou entre 2015 e 2022, jogando 232 vezes e marcando 100 golos.
Capitão do Toro durante várias épocas, coube-lhe a espinhosa missão de em nome da equipa, ler os nomes dos elementos da comitiva do Torino, mortos em Superga a 4 de maio de 1949, quando regressavam de um jogo em Lisboa, com o Benfica, da festa de homenagem ao capitão encarnado, Francisco Ferreira. A BOLA quis da saber o que ia na alma do ponta de lança do Benfica, no turbilhão de emoções que viver por dentro Superga provoca. Belotti não se fez rogado, afirmando que «para o Torino, Superga é um lugar mágico, que não sendo bonito, em função da tragédia que ali aconteceu, reúne emoções infinitas. É solo sagrado para os adeptos do Torino, e é tão especial que te toca até ao fundo da alma.»
Durante vários anos, Andrea Belotti, conhecido como o Galo, esteve na primeira linha da cerimónia solene de quatro de maio organizado pelo clube que tem com lenda maior Valentino Mazzola. Tratando-se de uma experiência intimista, Belotti confessou que «que não foi nada fácil, mas na minha qualidade de capitão do Torino tinha a obrigação de ler todos os nomes dos falecidos na tragédia, inscritos numa lápide daquele lugar único.» E desfiou o rol de memórias, num depoimento carregado de sentimento: «Devo dizer que, para mim, Superga é dos lugares mais emocionantes onde estive. Da primeira vez em que tive de ler, um a um, todos os nomes das 31 vítimas do desastre, senti-o profundamente dentro de mim, e trata-se, sem dúvida, de um momento que me acompanhará por toda a vida.»
Mas o que se passa naquele dia em que se celebra, em Superga, o Grande Torino, é assim contado pelo internacional italiano, campeão da Europa em 2021: «todos os anos, a 4 de maio, há uma cerimónia que recorda os mortos da tragédia de Superga, seguida de uma santa missa, em honra dos que caíram naquele lugar. É difícil de explicar, estamos todos juntos e não conseguimos falar, o que é uma coisa que dá muito que pensar...»
A relação entre o Benfica e o Torino, que já era tão boa, devido à ligação pessoal entre Francisco Ferreira e Valentino Mazzola, que permitiu que aquela que era à época a melhor equipa do Mundo estivesse no estádio Nacional, na terça-feira 3 de maio de 1949, a defrontar os encarnados na homenagem das águias ao seu capitão, tornou-se umbilical depois da tragédia, e a partir dos anos 50 do século passado, em cada viagem do Benfica ao norte de Itália nunca faltou uma romagem à basílica de Superga e ao memorial que evoca os 31 mortos no desastre de aviação. Este facto era do conhecimento de Andrea Belotti, que confessa estar «muito ligado ao Torino, clube onde passei sete anos maravilhosos e que permanecerá sempre no meu coração», e assume que, «quando vim para o Benfica sabia da proximidade entre os dois clubes, o que me faz aumentar ainda mais a emoção de estar aqui.»