
O MotoGP regressa já este fim de semana, com a primeira ronda a ter lugar em Buriram, na Tailândia, um dos circuitos onde os pilotos testaram na pré-temporada (para além de Sepang, na Malásia). A pré-temporada correu claramente melhor a uns pilotos do que a outros, mas que conclusões podemos tirar?
Vamos marca a marca e começamos com a Ducati. Começando pelos pontos negativos, a marca italiana anunciou que vai para este ano com o motor de 2024 que já tinha nas motos do ano passado, indicando que o de 2025 provavelmente não oferece uma melhoria (e a aerodinâmica também deve ser a mesma). Mesmo com a moto do ano passado a ser praticamente perfeita, isto dá margem aos outros construtores para se aproximarem se conseguirem melhorar as suas motos.
O lado positivo é que a Ducati parte ainda assim em vantagem, com Marc Márquez em particular a ter uma pré-temporada bem conseguida, com Francesco Bagnaia a enfrentar mais problemas. Deverão ser esses dois pilotos a lutar pelo título do MotoGP, embora também se destaque pela positiva os pilotos que vão pilotar uma GP24 este ano, sobretudo Álex Márquez, que fez tempos realmente bons na pré-época.
Na Aprilia, também há boas e más notícias. As más são óbvias e estão relacionadas com a lesão de Jorge Martín. O campeão do mundo de MotoGP caiu logo no primeiro dia em Sepang e sofreu uma lesão que o afastou do resto dos testes, parecia que ia recuperar a tempo de integrar o GP da Tailândia, mas voltou a lesionar-se enquanto treinava e vai falhar a primeira prova do ano. Não era assim que Martín queria começar a defender o seu título, mas nem tudo é mau.
Marco Bezzecchi teve uma pré-época carregada de responsabilidade, tendo de testar muitas coisas depois das lesões de Martín e de Raúl Fernández, mas o italiano destacou-se na Tailândia, sobretudo, mostrando que esta RS-GP parece ser melhor em praticamente todos os aspetos por comparação com a moto de 2024. O rookie Ai Ogura também fez uma boa pré-época e a Aprilia parte confiante para 2025.
Passando para a Yamaha, a marca japonesa parece estar a aproveitar bem as concessões e o facto de ter agora uma equipa-satélite, com a Pramac a juntar-se. Contudo, há que dizer que os testes na Malásia correram bastante melhor do que os da Tailândia. Fabio Quartararo foi sempre o piloto Yamaha mais rápido, mas a menor aderência do circuito de Buriram deixou a Yamaha com mais dificuldades. O ritmo de qualificação parece continuar a ser o maior problema, uma vez que a simulação de corrida de Quartararo até foi rápida. Se os pilotos conseguirem resolver o problema da qualificação, o fim de semana fica mais fácil.
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Já a Honda, que foi de longe a equipa mais lenta de 2024, também saiu satisfeita dos testes que realizou, sobretudo na Tailândia. Joan Mir, que caiu imensas vezes na época passada, era provavelmente o mais satisfeito, dizendo que estava com uma sensação que já não tinha há muito tempo. O maior ponto fraco da RC213V continua a ser a velocidade de ponta, mas a Honda também parece estar a aproveitar bem as concessões para melhorar e para se aproximar dos rivais.
Os sinais mais negativos, pelo menos atualmente, parecem ir para a KTM. A situação financeira da marca KTM é uma preocupação em si, deixando o projeto do MotoGP cheio de incertezas, mas, na pista, apenas Pedro Acosta parecia ser capaz de puxar pela moto, com dificuldades sobretudo para os pilotos da Tech3, Maverick Viñales e Enea Bastianini. De resto, o próprio Acosta sofreu na sua simulação de corrida com a performance dos pneus, o que deixa a marca austríaca com alguns pontos de interrogação antes da primeira prova do ano.