O FC Porto vai enfrentar este sábado o Arouca na jornada 24 da Primeira Liga. Martín Anselmi já lançou o desafio.

Martín Anselmi já fez a antevisão ao Arouca x FC Porto para a jornada 24 da Primeira Liga, uma partida marcada para este sábado às 18h00. O técnico dos dragões começou por dizer o seguinte:

«Arouca não perde há 8 jogos? Uma equipa que vem fazendo as coisas bem, não perde há 8 jogos e esteve bem contra as equipas grandes. No entanto, preparámo-nos e queremos buscar os 3 pontos. Queremos quebrar esse registo de 8 jogos sem perderem. Estão num bom momento e sabem jogar. Gosto da proposta de Vasco Seabra. Parece-me que têm coisas interessantes».

Martín Anselmi chegou há um mês ao FC Porto. O técnico argentino foi questionado sobre um balanço desde a sua chegada, tendo em conta os resultados, porém desvalorizou os resultados e vincou a necessidade de ir além disso na análise num largo discurso:

«O meu trabalho como treinador consiste sobretudo em tomar decisões. Para tomar decisões, tenho de ter fundamentos e esses fundamentos vêm da análise profunda de um jogo, dois, três… Nós trabalhamos tendo em conta o próximo adversário, daquilo que pudemos fazer ou o que não podemos fazer. Fizeste uma análise de resultados. Posso ter 50 remates à baliza e não marcar. Tenho de entender de onde vêm esses remates para saber se estão a fazer as coisas bem. A jogada mais perigosa que o adversário [Vitória SC] teve no jogo passado, foi uma bola que era nossa. Perdemo-la, golo do adversário. Então tenho de analisar essa bola perdida».

Martín Anselmi prosseguiu no discurso, com foque no processo defensivo:

«Temos recuperado a bola rapidamente. Eu quero ver uma equipa que pressione e ganha a bola ao rival o mais rápido possível. Se defendemos com cinco… Há situações para tudo em função do rival. Tu perguntas se tenho de mudar o sistema defensivo… Não. Pressionamos como queremos, roubamos a bola como queremos roubar. Não podemos controlar tudo no jogo, claro. Mas há que analisar os porquês».

«Ofensivamente, podemos não ter a quantidade de remates que o FC Porto queria. Será que os jogadores tomam a melhor decisão no momento do último passe? Mas e se o jogador tomar a decisão correta na mesma? Há muitas situações que geramos que não resultam em chances de golo porque falta esse último passe. Quando analisamos o resultado, não vemos tudo isto, vemos se ganhámos ou perdemos. Esse não é o meu trabalho, a minha obrigação como treinador é fazer com que o FC Porto melhore, independentemente do resultado. Tenho de trabalhar como vamos ganhar e para isso, fazemos uma análise para perceber o que não está a funcionar, ou mudar pequenas coisas naquilo que está a funcionar», completou.

No meio do discurso, Martín Anselmi fez também uma análise aos últimos jogos:

«Muitas situações que críamos não são concretizadas por causa do último passe. Contra a Roma, como é que fizemos golo? Pressionando. No Vitória pressionámos e ficámos numa situação de cinco contra dois, e falhamos o último passe, senão era 2-0. Mas quando analisamos o resultado, claro que não vemos isto tudo. Eu não trabalho assim. Analiso o que falhou para melhorar».

Martín Anselmi interrompeu a pergunta seguinte quando o jornalista começou por abordar uma eventual perda de pontos: «Futurologia», disse. Depois, foi questionado sobre o que faz mais sentido para um treinador que chega a meio da temporada – adaptar a estratégia aos jogadores ou ao contrário:

«Como terminou o FC Porto o ano passado no campeonato? Por que razão me contrataram?», contestou.

Martín Anselmi voltou a falar sobre ser adepto e salientou a importância dos mesmos:

«Também disse que, antes de ser treinador, fui adepto. Sei o que é ir ver o nosso clube a outro país, ir apoiar, chorar pela nossa equipa, o ganhar, o perder. Os adeptos, no geral, são o mais importante que há no futebol. Sem eles, não existiria o futebol. Há jogadores, os treinadores saem. Mas sem gente que esteja a consumir o futebol, não há futebol. Respeito-os muito. Depois, há o contexto e o caminho. Entendo os adeptos, mas também é preciso entender que o nosso trabalho dará essas alegrias. E temos de ser firmes. Eu sei o que estamos a fazer, vamos conseguir transmitir o que estamos a trabalhar».

Martín Anselmi foi questionado sobre os golos sofridos e se a consistência defensiva é a sua maior preocupação:

«Não é a minha maior preocupação. Quero marcar golos. Mas se me deixa muito feliz não sofrer golos? Parece-me que, para uma equipa ser campeã, é preciso sofrer poucos golos. No final das contas, podes ganhar os jogos todos por 1-0. Sim ou sim para ganhar. É muito importante terminar com a baliza a zeros e trabalhar para que o FC Porto sofra menos golos, sim. Não é o que mais me preocupa, mas é algo que me ocupa. Que trabalhemos para que isso aconteça».