
Numa mensagem publicada nas redes sociais na quinta-feira, William Lai classificou a medida anunciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como "um desafio sem precedentes" para o comércio global e para a economia.
Lai afirmou que o Governo mantém um contacto próximo com as indústrias taiwanesas e prometeu prestar-lhes "máximo apoio", embora não tenha detalhado ações específicas.
O Presidente observou ainda que a imposição de tarifas "não reflete o verdadeiro estado das relações económicas e comerciais" entre Taiwan e os Estados Unidos.
Lai defendeu que o excedente comercial com os EUA se deve à forte procura de produtos tecnológicos taiwaneses, como os semicondutores, impulsionada pelas políticas de segurança nacional dos EUA.
O chefe de Estado instou o Governo a informar o público sobre o potencial impacto das tarifas na economia taiwanesa e o plano de resposta do governo "o mais rapidamente possível".
Horas antes, o Governo taiwanês tinha classificado as tarifas de 32% como "profundamente irracionais" e disse que iria apresentar um protesto formal junto das autoridades de Washington.
"A medida é completamente irracional e profundamente lamentável. Vamos apresentar um protesto formal aos Estados Unidos", disse a porta-voz do Governo, Michelle Lee, numa declaração oficial.
O Governo de Taiwan criticou a "falta de transparência" e de base técnica no método de cálculo utilizado pelos EUA e realçou que a medida ignora a "elevada complementaridade" do comércio bilateral.
Embora os semicondutores --- o principal motor da economia da ilha --- tenham sido excluídos das novas tarifas, a medida levantou preocupações sobre o ambiente comercial mais hostil entre Taipé e Washington.
Taiwan é o sexto maior parceiro comercial dos EUA, com exportações recorde de mais de 110 mil milhões de dólares em 2024, impulsionadas pela crescente procura dos EUA por 'chips' avançados para inteligência artificial e cibersegurança.
A gigante taiwanesa TSMC, que controla mais de 67% do mercado global de fundição de 'chips', anunciou recentemente um investimento de 100 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, em parte para aliviar as tensões com a Casa Branca, depois de Trump ter ameaçado impor tarifas de até 100% sobre os semicondutores da ilha.
Os direitos aduaneiros específicos de cada país ou bloco económico, como a UE, começarão a ser aplicados a partir de 09 de abril, afirmaram à imprensa funcionários da Casa Branca.
A tarifa-base de 10 % começará a ser aplicada mais cedo, no sábado, 05 de abril, segundo estas fontes, citadas pela agência de notícias EFE.
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