A pouco mais de um mês das eleições legislativas, o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, esteve na SIC, no programa Júlia, a conversar sobre os problemas dos portugueses, a família, a profissão de político - que disse ser "terrível" -, os debates recentes no Parlamento, mas também sobre um meme em particular e, claro, a resposta a Lili Caneças.

A ideia de responder "foi minha" por perceber que "era uma boa oportunidade" de esclarecer que "sou simpático" e que "não ralho com as pessoas, com os portugueses. (...) Pelo contrário, se há razões para estar na política é exatamente pelas dificuldades que o povo português passa - o trabalho que têm, os salários baixos que ganham. Quando muito ralho com adversários políticos".

A postura mais séria, explicou Pedro Nuno Santos, deve-se a "um misto entre levar a sério o meu trabalho e os temas sérios", deixando a crítica, sem mencionar nomes, "a alguns políticos de sorriso cínico".

Quanto ao atual momento político e aos debates recentes na Assembleia da República, sobretudo o da moção de confiança apresentada pelo Governo, insistiu que se tratou de um "espetáculo horrível e degradante para a democracia portuguesa".

"São, aliás, episódios como este que afastam as pessoas da política. Aquilo que o Governo esteve a fazer toda a tarde [nesse dia] foi horrível. Primeira era a reunião durante o debate, depois a duração da Comissão Parlamentar de Inquérito - 15 dias, depois de 30 dias. O que o Governo fez foi a usar a moção para fazer chantagem com o Parlamento"

Mas, avisou: "Todos podemos cometer erros mas temos que estar prontos para a avaliação. (...) Hoje em dia um político tem de estar disponível para o escrutínio total. E foi um erro que o primeiro-ministro cometeu desde o início, foi evitando e adiando explicações - e as que deu foram tiradas a ferros. Isso suscita ainda mais dúvidas e suspeitas" e além de "não ser bom para a democracia, não desaparecem num ato eleitoral".

Recuperando a ideia do "manto da suspeição" que se vai manter, e apesar de a sondagem mais recente divulgada pelo jornal Público/RTP dar a vitória à AD-PSD/CDS, o socialista diz-se confiante e preparado para ser primeiro-ministro.

"Se há partido preparado é o PS, e se alguém que tem preparação para governar sou eu. (...) Nem sempre tivemos primeiros-ministros com experiência governativa e eu tenho e longa", lembrou Pedro Nuno, salientando ainda que "aquilo que o Governo e Montenegro apresentam como estando bem é o que na realidade estava bem já há um ano". E aquilo que "não estava tão bem, como é o caso da Saúde, está pior"

E, mais do que isso, acrescentou, "este último mês foi muito revelador da seriedade de Luís Montenegro, e isso preocupa-me".

"Levo muita pancada pela TAP"

SIC Notícias

Um meme sobre o próprio - um boneco Pedro Nuno acompanhado por vários adereços -, trouxe a TAP para a conversa com Júlia Pinheiro.

"Para mim é dos maiores paradoxos, herdei uma empresa falida - houve um episódio que correu mal e que, aliás, resulta na minha saída do Governo -, mas deixei essa empresa a dar dinheiro. Está no terceiro ano a dar lucro, o que nunca tinha acontecido na história da TAP", mesmo assim, lamenta, continua a "levar muita pancada"

Mas a TAP "não foi a única". A CP - Comboios de Portugal "nunca tinha dado lucro desde que existe e deu pela primeira vez comigo a ministro das Infraestruturas", disse, admitindo ser "um pouco injusta a forma como relacionam a TAP comigo porque se alguma coisa fiz foi deixá-la a dar dinheiro".

Quanto à decisão - imediatamente anulada pelo, à data, primeiro-ministro António Costa - sobre a localização do novo aeroporto, Pedro Nuno Santos não se alongou em (mais) explicações mas reconheceu que os 50 anos que o tema já leva, as "mais de 17 soluções estudadas", lhe fazem "muita confusão".

"Faz-me confusão que adiemos tanta coisa. Não consigo conviver com a incapacidade de se decidir e de se fazer em Portugal. Não tenho perfil para lidar com isso"

Sobre a demissão de Alexandra Reis via Whatsapp, o que dizer? "A única coisa que dei foi autorização política para que esse processo se encerrasse. Mas algumas coisas tomam uma dimensão tal que já não podemos dizer nada que a desfaça".

O que se passou com Medina? E Sérgio Sousa Pinto?

Sem desenvolver muito a questão, Pedro Nuno Santos esclareceu que convidou Fernando Medina a integrar as listas do PS, mas que o próprio não quis.

"Eu convidei-o, não fui eu que o exclui. O Fernando Medina tomou a decisão de sair e, portanto, de fazer uma carreira no privado e isso deve ser respeitado, faz parte. Há quem entre de novo, há quem saia. Isso faz parte"

Mais inesperada, talvez, parece ter sido para o próprio secretário-geral socialista a nega de Sérgio Sousa Pinto. "(...) Aceitou integrar as listas. Elas foram aprovadas em Lisboa na segunda-feira. Conhece a composição desde segunda-feira. E hoje de manhã, decidiu que afinal não gostava e que queria sair e nós temos de respeitar. É a vida".

"Falou comigo, explicou-me as razões, mas, quer dizer... . Não vou perder muito tempo com isso. (...) O PS tem gente qualificada, com experiência, gente nova nas listas e temos uma equipa com os valores certos, com a vontade de fazer a diferença, de ajudar as pessoas. E é isso que precisamos, é isso que quero nas listas do PS e num futuro Governo".