
Estudantes de Direito da Universidade de Lisboa acusaram hoje a deputada Rita Matias de instrumentalizar as forças de segurança ao pedir a intervenção da PSP, perante a contestação dos alunos, durante uma ação da juventude do Chega na Faculdade.
O episódio, denunciado hoje pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa (AAFDL), aconteceu na quarta-feira, quando membros da Juventude do Chega, acompanhados da deputada, estiveram na instituição a distribuir folhetos e afixar cartazes.
De acordo com a AAFDL, durante a ação, que não foi previamente autorizada pela Faculdade, os cartazes acabaram por ser retirados por um estudante, motivando protestos por parte dos simpatizantes do partido.
“Tendo explicado que era necessária a autorização da AAFDL para a afixação de cartazes, o aluno em questão foi intimidado pelos membros da juventude partidária e rodeado por vários dos intervenientes que assumiram uma postura hostil".
Num comunicado publicado nas redes sociais, a associação de estudantes acrescenta que, na sequência das altercações, a própria deputada solicitou a intervenção da PSP, que procedeu à identificação de dois alunos.
A AAFDL relata ainda que durante o processo de identificação, em que os alunos estiveram acompanhados por docentes da instituição, Rita Matias "assumiu uma postura provocadora" e interferiu "no normal funcionamento das diligências".
"É inadmissível que, em democracia, numa instituição de ensino superior pública, estudantes sejam identificados pela polícia, quando solicitado por uma deputada da Assembleia da República, quando esta não padecia de justificação legal”, criticam os representantes estudantis.
Os estudantes acusam o partido e, em particular, a deputada Rita Matias de instrumentalizar “os meios de segurança, do direto e da justiça, estando disposta a dar início a um processo-crime com o propósito de dar putativas lições de moral a qualquer fação política”.
Numa publicação na rede social X, Rita Matias relata que a Juventude do Chega deslocou-se à FDUL para distribuir panfletos e brindes e que vários estudantes "decidiram, numa ação gratuita e provocadora, retirar e danificar o material e ofender" os elementos da comitiva.
"Na presença das autoridades, pedimos que os prevaricadores fossem identificados porque o tempo da impunidade já passou. Não nos deixamos condicionar por militantes de esquerda", escreveu a deputada.
Em resposta à agência Lusa, a direção da Faculdade confirma que a ação da Juventude do Chega não foi previamente autorizada.
Por outro lado, esclarece que que a instituição não “solicitou qualquer intervenção da PSP na escola, como aliás resulta da sua cultura institucional”.
A situação ainda está a ser analisada “para posterior tomada de decisão” e a Direção deverá comunicar uma posição oficial até ao final do dia.
A Lusa questionou o Comando Metropolitano de Lisboa sobre a intervenção, da PSP sem resposta até ao momento.