
O FC Porto necessita de arregaçar as mangas na receção ao Benfica, no domingo, da 28.ª jornada da 1ª Liga, adverte o treinador Manuel Tulipa, ciente das implicações do clássico na consistência das equipas na reta decisiva.
"Há possibilidade de o FC Porto poder encurtar distâncias para tentar chegar ao primeiro lugar ou ocupar a segunda posição, de acesso à Liga dos Campeões, mas também de continuar na luta pelo pódio. O Sp. Braga tem feito uma campanha muito boa e, mesmo com algumas limitações, está a conseguir ótimos desempenhos e resultados e a morder os calcanhares ao FC Porto", traçou à agência Lusa o técnico, de 52 anos, que orientou iniciados (2017/18), juvenis (2018/19) e juniores (2019/20) azuis e brancos.
O Benfica, segundo classificado, com os mesmos 65 pontos do campeão nacional e líder Sporting, mede forças com o FC Porto, terceiro, em igualdade com os 56 do Sp. Braga, quarto, no domingo, às 20h30, no Estádio do Dragão, no Porto, no clássico da 28.ª ronda, um dia antes de os leões defrontarem os arsenalistas em Alvalade, pelas 20h45.
"Nesta altura, o Benfica é uma das equipas mais compactas e que joga ao melhor nível. Tem um plantel superior aos outros, muito bons jogadores para diversas posições e uma equipa bem construída, mas isso não adianta de nada, porque, neste clássico, importa perceber o seu caráter, a forma como aborda o jogo e a estratégia dos técnicos", notou.
Os dragões vêm de duas vitórias consecutivas na prova, série que não atingiam há três meses e frisou a "melhoria em todos os aspetos" da equipa na assimilação das ideias do treinador argentino Martín Anselmi, contratado em janeiro como sucessor de Vítor Bruno.
"Numa primeira fase, a mudança de sistema [de 4-2-3-1 para 3-4-3] perturbou a nível defensivo e o FC Porto sofreu muitos golos em que se responsabilizava individualmente determinado jogador, mas que também tinha a ver com a adaptabilidade coletiva. Tudo isso tem o seu tempo e acho que houve uma melhoria nestes últimos dois ou três jogos", avaliou Tulipa, ex-médio internacional português com formação concluída nos dragões.
Além da reconversão tática, o estilo de jogo tem diferido das sete temporadas anteriores, nas quais o FC Porto foi comandado por Sérgio Conceição, em que buscava uma "circulação mais rápida da bola, com intencionalidade na pressão, capacidade para driblar os adversários e possibilidade de dar profundidade aos ataques".
"O FC Porto era muito mais competitivo, intenso e equilibrado em todos os momentos do jogo. Agora, é tudo novo e há que ajustar o mais rápido a equipa à ideia coletiva e às características dos jogadores, até porque o FC Porto tem de ganhar constantemente, e perceber como os adversários jogam, já que atuamos muitas vezes em função dos espaços que nos deixam", diz Tulipa.
Acreditando que clássico pode ser desencaixado em rasgos individuais, Tulipa dá algum favoritismo ao Benfica, que "está bem entrosado e reforçou-se ainda melhor no inverno", enquanto o FC Porto peca pela "juventude e escasso traquejo em jogos grandes" e está distante das opções de plantel que sustentaram a goleada aplicada às águias (5-0) na segunda volta da época anterior.
"O FC Porto fez muitas coisas bem coletivamente nesse encontro, mas o fator qualitativo também teve importância e hoje não há muito esse tipo de jogador quando é necessário fazer substituições. O Rodrigo Mora é um miúdo que flutua bem nos espaços e tem um 'cheiro' muito forte pela baliza. O Pepê vem melhorando, mas o Benfica tem muito mais esse tipo de futebolistas, incluindo extremos com capacidade de aceleração e improviso, bem como médios que saltam bem as linhas e chegam às zonas de finalização", ilustrou.
Mora, Pepê e Fábio Vieira coincidiram nas escolhas iniciais nos últimos dois jogos e "são três dos mais diferenciados" do ataque azul e branco, mas Tulipa antecipa que "tenham muitas missões defensivas" face ao Benfica, estando curioso pelo perfil do trio defensivo, que pode congregar três centrais de origem ou fazer recuar o médio Stephen Eustáquio.
"O FC Porto precisa de ter uma ideia ofensiva. Em alguns momentos, três centrais e um médio são suficientes para gerar equilíbrio e ter muita gente próxima da baliza contrária. Importa é que, depois, quando não se ganha a primeira bola nem se finaliza, exista uma reação forte à perda. Isso custou numa primeira etapa, mas agora está melhor", concluiu.