
O Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) pediu esclarecimentos à Federação Portuguesa de Futebol sobre a cooptação provisória e temporária de Rui Pereira Caeiro para 'vice' de Pedro Proença, disse esta sexta-feira à Lusa o organismo público.
O antigo diretor executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) transitou com Pedro Proença, sem ter sido eleito nas listas candidatas às eleições do passado dia 14 de fevereiro, tendo o IPDJ, a entidade responsável pelo cumprimento do Regime Jurídico das Federações Desportivas, estado "a analisar a situação e solicitou esclarecimentos à FPF".
No entanto, logo em 04 de março, Rui Pereira Caeiro foi nomeado pelo "presidente da FPF como novo representante da FPF na direção da LPFP", um dia depois de, ainda segundo o organismo, ter participado "na reunião realizada na tarde desta segunda-feira [em 03 de março], a primeira sob a presidência de Helena Pires".
Com esta responsabilidade, Rui Caeiro poderia participar nas decisões da LPFP, algo que, no entanto, não ocorreria na FPF, uma vez que os elementos cooptados não têm direito a voto na direção, podendo incorrer em desconformidade com o Regime Jurídico das Federações Desportivas, conforme foi noticiado pelo jornal A Bola, na quarta-feira, quando a Lusa questionou o IPDJ.
A primeira reunião da direção liderada por Proença e empossada no dia 24 de fevereiro ocorreu em 18 de março, quando foi "validada" e anunciada a nova estrutura organizacional da FPF, num elenco que integrava Rui Caeiro como um dos três vice-presidentes, juntamente com José Fontelas Gomes, eleito na lista de Proença, e Helena Pires, por inerência.
A saída de Joaquim Evangelista, de forma a manter-se na direção mundial da FIFPro, maior organização global de defesa dos direitos dos futebolistas, e que entretanto foi reeleito presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), já tinha sido colmatada, antes da posse, por Horácio Antunes, o primeiro suplente.
A novidade na distribuição de pastas foi mesmo a promoção de Rui Caeiro à vice-presidência, com a 'tutela' do Mundial2030, que Portugal vai acolher juntamente com Espanha e Marrocos, além da nova era na relação com a LPFP, conforme ainda se pode ler no sítio da FPF na Internet.
Desde então, sem que tivesse sido anunciada alguma alteração pela FPF, a diferença é apenas visível na página da composição da direção, na qual permanece Rui Caeiro, já sem o estatuto de 'vice', como um dos nove diretores, tal como Toni, Domingos Paciência, Daniel Carriço, Sandra Parente, Sofia Teles, Pedro Xavier, Júlio Vieira e o já referido Horário Antunes.
A Lusa questionou a FPF e a Secretaria de Estado do Desporto sobre o assunto, sem que, até ao momento, tivesse obtido qualquer resposta.