Terminado o mês de março, ficou também para trás o período do Ramadão, pelo que os jogadores que obedecem a essa prática já podem alimentar-se a qualquer altura do dia e não apenas entre o pôr e o nascer do sol.

Sikou Niakaté, Ismael Gharbi e El Ouazzani foram os elementos que respeitaram a cultura islâmica e que passaram por uma natural fase de menor fulgor físico nas últimas semanas. Ouazzani foi o que mais minutos contabilizou em março (quatro jogos, dois como titular), Gharbi também entrou de início em dois desafios, ao passo que Niakaté foi suplente utilizado apenas num – foi ainda totalista numa partida pela seleção do Mali.

A BOLA quis perceber os reais impactos do Ramadão e esteve à conversa com Diogo Miranda Santos, médico português que há três anos trabalha nas seleções do Qatar. O jovem portuense, de 36 anos, começou por explicar que cada caso é um caso.

«É uma área que desperta muito interesse e que tem vindo a ser estudada nos últimos anos. A prática desportiva no Ramadão pode ser diferente em países que são islâmicos ou não, dependendo da questão cultural. Nos países muçulmanos, por exemplo, todos os treinos e jogos são realizados depois do pôr do sol», relata.

O médico diz que «há estudos que mostram que na parte final do Ramadão nota-se mais a alteração nos atletas, nomeadamente a velocidade e a potência, havendo uma diminuição dessas mesmas capacidades». Mas não é só a alimentação que é afetada: «Temos de ter tem em conta a qualidade do sono, que é manifestamente inferior. Afinal, os jogadores acordam durante a noite para poderem alimentar-se e o corpo não tem o necessário descanso. Dessa forma, há uma maior perceção do esforço, ou seja, e ainda que subjetivamente, os atletas estão mais cansados para o treino e/ou para o jogo.»

O Ramadão já terminou e, como tal, é também importante perceber qual será a reação dos futebolistas nos tempos vindouros. Mas também este parâmetro não é linear. A análise tem de ser abrangente.

«Tal como acontece durante o período do Ramadão, onde cada jogador pode reagir de forma diferente no início, no meio ou no fim, depois de concluída esta fase há sempre uma enorme subjetividade. Cada um reage de maneira diferente, pelo que o tempo que possa demorar a recuperação física no pós-Ramadão não é igual para todos os atletas», concluiu o médico luso.

Sugestão de vídeo: