
O Presidente norte-americano, Donald Trump, saudou o "acordo muito justo" sobre os recursos minerais da Ucrânia e avaliou que o cessar-fogo está "razoavelmente próximo", ao receber seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca.
Espera-se que os dois líderes assinem esta sexta-feira um acordo sobre a exploração de minerais estratégicos da Ucrânia e discutam possíveis garantias de segurança para a Ucrânia quando a guerra com a Rússia terminar.
Por sua vez, Zelensky afirmou que o acordo económico que planeia assinar com Washington é um primeiro passo para obter "verdadeiras garantias de segurança" para o seu país.
"Espero que este documento, este primeiro documento, seja o primeiro passo em direção a garantias reais de segurança para a Ucrânia. E, claro, pedimos que os Estados Unidos continuem a fornecer apoio. É realmente muito importante para nós", disse Zelensky ao seu homólogo norte-americano, no início da reunião entre ambos no Salão Oval.
Zelensky indicou ainda aos repórteres que quer conversar com Trump sobre "o que ele está disposto a fazer" e admitiu contar com a sua "postura forte" para deter o Presidente russo, Vladimir Putin.
O Presidente ucraniano agradeceu a Trump por sinalizar a necessidade que travar esta guerra que começou em 2022.
"Acho muito importante dizer essas palavras a Putin desde o começo, porque ele é um assassino e um terrorista, mas espero que juntos possamos detê-lo. É muito importante para nós salvar o nosso país, os nossos valores, a nossa liberdade e democracia. E, claro, sem concessões", enfatizou.
Já Donald Trump disse a Zelensky que se considera um "árbitro" e "mediador" entre a Rússia e a Ucrânia para alcançar a paz.
"Estou aqui como árbitro, como mediador, até certo ponto, entre dois lados que têm sido muito hostis", disse Trump em declarações a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.
Trump classificou este como "um momento emocionante", mas frisou que o "momento realmente emocionante será quando os tiroteios pararem e se chegar a um acordo".
"E acho que estamos bem perto disso", acrescentou.
O chefe de Estado norte-americano também disse que confia na palavra de Vladimir Putin, com quem conversou em 12 de fevereiro para discutir um possível caminho para a paz, em contraste com Zelensky, que reiterou que não confia no líder russo.
"Falei com o Presidente Putin, conheço-o há muito tempo e acredito firmemente que estão muito comprometidos com isso", argumentou.
Zelensky já visitou a Casa Branca em setembro de 2021, dezembro de 2022 e em setembro e dezembro de 2023, sob a Presidência do democrata Joe Biden (2021-2025), sendo que esta é a primeira vez que Trump regressou ao poder, em 20 de janeiro.
A Ucrânia e os seus aliados europeus exigem garantias de segurança de Washington, mas os Estados Unidos querem que a Europa as forneça. O projeto de pacto económico a ser assinado não inclui essas garantias de segurança.
"Deixem-me fechar um acordo primeiro. Tenho que fechar um acordo primeiro. Não se preocupem com a segurança agora", advogou Trump, enfatizando a necessidade de primeiro conseguir uma cessação das hostilidades para evitar mais mortes.
Zelensky não especificou que tipo de garantias de segurança considera apropriadas para o seu país e, embora continue a defender a adesão da Ucrânia à NATO - algo que Trump recusa firmemente -, também levantou a possibilidade de aceitar um acordo de segurança alternativo.
A União Europeia, por sua vez, tem falado de "salvaguardas" para se referir a possíveis garantias de segurança que os norte-americanos poderiam fornecer a um contingente militar europeu que ficaria com bases na Ucrânia após a assinatura de um acordo de paz.