
O Presidente norte-americano, Donald Trump, despediu vários funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, após a ativista radical Laura Loomer ter acusado alguns de falta de lealdade à agenda presidencial, segundo media norte-americanos.
De acordo com o New York Times, Laura Loomer foi recebida na quarta-feira na Casa Branca, tendo participado numa reunião com Trump e vários altos funcionários, incluindo o conselheiro de Segurança Nacional Mike Waltz, perante quem criticou duramente a personalidade e a lealdade de certos conselheiros.
Outros meios de comunicação como a CNN, Washington Post, Axios e Wall Street Journal noticiaram esta reunião, que foi posteriormente confirmada pela pessoa em questão.
"Por respeito ao Presidente Donald Trump e à privacidade na Sala Oval, não revelarei quaisquer detalhes da minha reunião", escreveu Laura Loomer no X.
A ativista adiantou que apresentou uma "investigação" ao Presidente e enfatizou "a necessidade de selecionar os membros da sua equipa com muito rigor".
"Continuarei a trabalhar duramente para apoiar a agenda [de Trump] e continuarei a reiterar a importância e a necessidade de um ESCRUTÍNIO FORTE, para proteger o Presidente (...) e nossa segurança nacional", adiantou.
De acordo com a agência AP, que cita fontes sob anonimato, Loomer defendeu os despedimentos durante a reunião, em que estiveram também o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles e Sergio Gor, diretor do Gabinete de Pessoal Presidencial.
As mesmas fontes adiantaram que, desde a reunião, o Gabinete de Pessoal demitiu pelo menos três altos funcionários do Conselho de Segurança Nacional (CSN) e vários assessores de baixo escalão.
O porta-voz do CSN, Brian Hughes, recusou-se a comentar a reunião ou as demissões, dizendo que a Casa Branca não discute assuntos de pessoal.
Defensora de teorias da conspiração
Loomer, que difundiu teorias da conspiração sobre o ataque de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gémeas, foi uma presença frequente na campanha de Trump à Casa Branca em 2024.
Mais recentemente, tem falado nas redes sociais sobre membros da equipa de segurança nacional de Trump que insiste que não são de confiança.
Loomer também promoveu o movimento QAnon, uma teoria da conspiração apocalíptica centrada na crença de que Trump está a lutar contra o "estado profundo".
A ativista, segundo fontes citadas pela AP, acredita que Waltz dependeu demasiado, no processo de escolha da sua equipa, dos neoconservadores do Partido Republicano - bem como de grupos que considera "não serem suficientemente" MAGA, numa referência ao movimento "Make America Great Again" de Trump.
Despedimentos suspeitos
Este é o segundo caso em poucos dias em que Loomer aparece associada a despedimentos decididos por Trump.
Na sexta-feira, um procurador-adjunto em Los Angeles, Adam Schleifer, foi demitido sem qualquer explicação, através de um e-mail conciso enviado pelo Gabinete de Pessoal da Casa Branca.
Segundo uma fonte que falou à AP sob condição de anonimato por preocupação com potenciais represálias, e e-mail enviado a Schleifer, que investigava fraudes empresariais e de valores mobiliários no gabinete do procurador federal em Los Angeles, dizia apenas que estava a ser despedido "em nome do Presidente Donald J. Trump".
Na altura em que foi despedido, na sexta-feira, Schleifer estava a processar um caso de fraude contra Andrew Wiederhorn, o antigo diretor executivo da Fat Brands Inc., que fez donativos durante a campanha presidencial a grupos que apoiavam Trump.
O e-mail chegou exatamente uma hora depois de Loomer ter pedido a sua demissão num post nas redes sociais, destacando os comentários críticos de Schleifer sobre Trump.
Na sequência de vários despedimentos semelhantes, a Casa Branca assumiu segunda-feira, através da porta-voz Karoline Leavitt que demitiu 50 procuradores de carreira do Departamento de Justiça, justificando estar a evitar a "subversão" do sistema jurídico, cortando com a prática de anteriores administrações.