O Parlamento romeno aprovou na segunda-feira uma lei que autoriza o abate de quase 500 ursos em 2024, poucos dias depois da morte de uma jovem, medida considerada ineficaz pelas associações de defesa dos direitos dos animais.

Os deputados foram chamados das férias de verão para votar este diploma urgente, uma vez que a morte, na semana passada, de uma jovem de 19 anos provocou forte comoção no país.

A jovem estava num circuito muito popular nos Alpes da Transilvânia, a sul da cidade de Brasov (centro), quando foi arrastada por um urso para uma ravina de difícil acesso.

Os serviços de emergência não conseguiram salvá-la, apesar de terem sido acionados.

O Presidente Klaus Iohannis manifestou-se chocado com o incidente, considerando que existem "muitos ursos".

O primeiro-ministro, Marcel Ciolacu, convocou uma sessão parlamentar extraordinária que decorreu na segunda-feira, com os deputados a respeitarem um minuto de silêncio pela vítima.

A lei aprovada por uma grande maioria dá 'luz verde' ao abate, por atiradores autorizados, de 481 ursos este ano, em comparação com 220 em 2023.

Os relatores do diploma invocaram "uma sobrepopulação" desta espécie protegida e "uma situação alarmante" que conduz a um aumento dos ataques, embora conscientes de que a caça aos ursos "não é uma cura milagrosa".

A Roménia é o país da União Europeia (UE) com a maior densidade registada, com cerca de 8.000 indivíduos, segundo uma estimativa do Ministério do Ambiente.

Em março, Bucareste pediu a Bruxelas "que reavaliasse o seu estado de conservação" e "considerasse a atualização do seu estatuto de proteção".

Segundo dados oficiais, nos últimos 20 anos, 26 pessoas foram mortas por ursos na Roménia e 274 pessoas ficaram gravemente feridas. Em 2023, foram registadas 7,5 mil chamadas de emergência.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) deplorou "uma lei que não resolve absolutamente nada".

"É um cálculo matemático que pressupõe que quanto menos ursos, menor o risco de ataques", frisou o especialista Calin Ardelean, em declarações à agência France-Presse (AFP).

"Mas devemos, acima de tudo, concentrar-nos na prevenção e na eliminação direcionada dos ursos problemáticos", defendeu.

A situação deve-se, em particular, à má gestão dos resíduos e à atitude dos turistas romenos e estrangeiros, muitos dos quais alimentam ilegalmente estes animais, o que os atrai para fora do seu habitat natural.