
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sublinhou hoje que o Qatar "não é inimigo" de Israel, defendendo dois dos seus conselheiros detidos por suspeita de corrupção no chamado caso "Qatargate".
"O Qatar é um país complexo, não é um país simples, mas não é um país inimigo, e muitos elogiam-no" em Israel, como vários líderes da oposição ou até "o próprio chefe do Shin Bet, Ronen Bar", destacou Netanyahu, num vídeo divulgado pelo seu partido Likud, referindo-se ao chefe da Agência de Segurança Interna, cuja recente demissão pelo governo foi congelada pelo Supremo Tribunal.
Netanyahu defendeu os seus dois conselheiros próximos que foram detidos, Yonatan Urich e Eli Feldstein.
Antes, Netanyahu tinha falado de uma "caça às bruxas" e de uma investigação política.
Israel está a ser abalado por acusações que implicam pessoas próximas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu num escândalo de financiamento do Qatar, anfitrião de líderes do Hamas e mediador entre Israel e o movimento islamista palestiniano.
Apelidado de "Qatargate" pelos meios de comunicação israelitas, o caso baseia-se em suspeitas de que pessoas próximas de Netanyahu foram recrutadas para promover os interesses do Qatar em Israel, onde o emirado do Golfo é considerado hostil.
O tribunal disse que as suspeitas estão relacionadas com fundos destinados a "melhorar a imagem do Qatar" junto do público israelita, particularmente em relação ao seu papel de mediador para a libertação de reféns em Gaza em troca da libertação de prisioneiros palestinianos.
Segundo os meios de comunicação social israelitas, Urich e Feldstein são também suspeitos de passar informações confidenciais a fontes do Qatar durante a guerra em Gaza.
"Esta não é a primeira vez que somos alvo de uma campanha de difamação por parte daqueles que não querem ver o fim deste conflito nem o regresso dos reféns às suas famílias", frisou à agência France-Presse (AFP) um responsável do Qatar, acrescentando que o seu país "vai continuar os seus esforços de mediação".
Urich é considerado um dos homens mais próximos de Netanyahu. Antigo porta-voz do seu partido Likud, dirige uma empresa de consultoria, a Perception, que, segundo os meios de comunicação israelitas, foi contratada pelo Qatar para melhorar a sua imagem antes do Campeonato do Mundo de Futebol de 2022.
Feldstein já está sob investigação, revelada no final de 2024, por alegadamente ter divulgado documentos militares confidenciais a jornalistas quando era porta-voz militar de Netanyahu.
Sobre a guerra na Faixa de Gaza, Netanyahu adiantou hoje que Israel está a estabelecer um novo corredor de segurança na Faixa de Gaza para pressionar o Hamas, sugerindo que isso isolaria a cidade de Rafah, no sul, que Israel ordenou que fosse evacuada, do resto do território palestiniano.
Netanyahu descreveu o novo eixo como o corredor Morag, usando o nome de um colonato judaico que ficava entre Rafah e Khan Younis, sugerindo que passaria entre as duas cidades do sul.
Disse que seria "um segundo corredor de Filadélfia", referindo-se ao lado de Gaza da fronteira com o Egito, mais a sul, que está sob controlo israelita desde maio passado.
"Estamos a cortar a faixa e a aumentar a pressão passo a passo para que nos entreguem os nossos reféns", frisou Netanyahu.
A Autoridade Palestiniana apoiada pelo Ocidente, liderada por rivais do Hamas, manifestou a sua "completa rejeição" ao corredor planeado.
Instou ainda o Hamas a abdicar do poder em Gaza, onde o grupo militante enfrentou raros protestos recentemente.
Israel, que terminou o cessar-fogo em março, prometeu intensificar a guerra de quase 18 meses com o Hamas até que o grupo militante devolva dezenas de reféns que restam, desarme e abandone o território.