
Em resposta às mensagens de protestos enviados, a que a Lusa teve acesso, Ana Sousa Dias adianta que recebeu 1.900.
Em 26 de março, a Provedora do Telespectador tinha adiantado à Lusa que até àquela data tinha recebido "mais de 1.000 queixas".
"Bastaria uma queixa para eu lhe dar atenção, nas neste caso foi atingido um número inusitado", afirma Ana Sousa Dias, na resposta a uma das queixas.
"O assunto foi debatido na praça pública por diferentes comentadores e jornalistas, com opiniões contraditórias, e ocupou um espaço imenso e intenso nas redes sociais", refere a Provedora do Telespectador, que adianta que depois de analisar as entrevistas desta fase pré-eleitoral considera que a do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, "foi objetivamente mal sucedida e não permitiu esclarecimentos sobre as posições" do Partido Comunista.
"Foi claramente diferente de todas as outras" e o jornalista "é suficientemente experiente para ter entendido como bordão o 'não' que repetidamente Paulo Raimundo usou antes das respostas", prossegue Ana Sousa Dias.
"Todos teríamos ficado a ganhar se tivesse partido para abordar outros temas em vez de transformar a entrevista num debate sobre uma única questão", considera a Provedora do Telespectador.
Ana Sousa Dias assinala que, na sua opinião, neste caso o serviço público não foi cumprido.
O próximo programa Voz do Cidadão, que é transmitido no sábado, é dedicado à série de entrevistas a dirigentes partidários das últimas semanas, contando com a participação de António José Teixeira, José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria.
Na sequência da entrevista, o PCP tinha anunciado que iria apresentar queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) devido à condução da entrevista na RTP ao secretário-geral do partido.
O secretário-geral do PCP foi entrevistado em 24 de março à noite no Telejornal, no âmbito das eleições legislativas antecipadas, que vão decorrer em maio.
Durante a entrevista, Paulo Raimundo foi questionado várias vezes sobre a posição do PCP sobre a invasão da Rússia à Ucrânia, tendo sido este o tema ao longo dos cerca de dez minutos da entrevista.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que as eleições legislativas antecipadas vão realizar-se em 18 de maio, na sequência da crise política que levou à demissão do Governo AD, que viu a sua moção de confiança chumbada no parlamento.
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