Moçambique prevê aumentar em 500% a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) em cinco anos, para 20 milhões de toneladas por ano (mtpa), segundo dados do Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025 – 2029.

De acordo com as previsões inscritas pelo Governo no documento, que será discutido ao longo das próximas semanas na primeira sessão parlamentar ordinária da legislatura, iniciada em 26 de março, este crescimento contrasta com a base de partida de 3,30 mtpa, em 2024.

Outro objectivo do PQG, o primeiro do executivo liderado pelo Presidente Daniel Chapo, investido nas funções em janeiro, define a meta de aumentar o número de contratos celebrados para pesquisa de hidrocarbonetos dos atuais sete para 16, em 2029.

Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo um da TotalEnergies, ainda suspenso devido a questões de segurança, na península de Afungi, sendo que apenas o liderado pela italiana Eni está em produção, com previsão de duplicar o volume.

No PQG, o Governo estima ainda o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos actuais 662 dólares para 951,71 dólares em 2029, impulsionada precisamente pelos projectos de GNL.

Entretanto, a agência de notação financeira Fitch afirmou em março que a prevista retoma, este ano, do projecto de GNL da TotalEnergies vai facilitar a aguardada decisão da ExxonMobil para outro megaprojecto no norte de Moçambique.

“A retoma da construção do projeto de GNL da TotalEnergies pode facilitar uma decisão final de investimento no projeto de GNL de 30 mil milhões de dólares proposto pela ExxonMobil. Este projeto seria parcialmente ‘onshore’ e contribuiria para o crescimento económico durante sua fase de construção”, lê-se numa avaliação da Fitch Ratings, consultada pela Lusa.

A agência de notação acrescenta que a capacidade de produção deste projecto da ExxonMobil “pode ser a maior até agora em Moçambique, com uma capacidade total de 18 milhões de toneladas por ano, em comparação com 12,9 mtpa para o projecto da TotalEnergies”.

A TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, tem em curso o desenvolvimento da construção de uma central, em Afungi, nas proximidades de Palma, para produção e exportação de gás natural.