A gestora de ativos do Deustche Bank, DWS, foi multada em 25 milhões de euros por ter praticado ‘greenwashing’, ou seja, por ter feito alegações enganosas sobre o seu investimento ambiental e social (ESG).

O Ministério Público de Frankfurt deu conta da medida nesta quarta-feira, após uma investigação que incidiu sobre a atuação da DWS entre meados de 2020 e final de janeiro de 2023.

A DWS reconheceu, também nesta quarta-feira, a infração cometida e aceitou a coima, que diz “não ter impacto nos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025, uma vez que já reconhecemos as provisões correspondentes”.

No comunicado, a gestora de ativos reconhece que a estratégia de marketing que praticada no passado “foi por vezes exuberante”, adiantando que já melhoraram a documentação interna e os processos de controlo. “Continuaremos a trabalhar para fazer mais progressos nesta área. Cooperámos plenamente durante toda a investigação”, referiu.

Do ‘greenwashing’ ao “greenhushing”

Tendo este caso como exemplo, a DBRS Morningstar emitiu um comentário a referir que as empresas vão passar do ‘greenwashing’ ao “greenhushing”, ou seja, por receio de cometerem alegações enganosas ou serem alvo de escrutínio público, vão minimizar a divulgação ou mesmo as iniciativas ambientais naquilo que a agência de notação denomina de “greenhushing”.

“O caso da DWS permanecerá emblemático dos excessos que o setor ESG experimentou há alguns anos”, diz Hortense Bioy, chefe de pesquisa de investimento sustentável da Morningstar Sustainalytics. “Entre 2020 e 2022, houve um entusiasmo sem precedentes pelo ESG e praticamente todos os gestores de ativos estavam ansiosos por mostrar as suas credenciais ESG. Desde então, o mercado deu uma reviravolta completa. O greenwashing está a dar lugar ao greenhushing – uma tendência em que as iniciativas ESG e de sustentabilidade são cada vez mais minimizadas ou mantidas fora dos holofotes”.

Embora continuem a existir casos de ‘greenwashing’ no futuro, “é provável que sejam limitados e, em grande medida, não intencionais. Além disso, a regulamentação anti-greenwashing – como as diretrizes da ESMA sobre a rotulagem dos fundos na UE e a DSE do Reino Unido – dará aos investidores uma maior confiança nos produtos em que investem”, afirma Bioy.