
Depois de dias de cartas, reuniões de emergência e troca de acusações entre novo e antigo presidentes da Federação Portuguesa de Futebol, o momento do voto chegou no Congresso da UEFA, em Belgrado. E a eleição não sorriu ao recém-empossado presidente da FPF: Pedro Proença não conseguiu ser eleito para o Comité Executivo da UEFA.
O ex-líder da Liga era um de 11 candidatos para sete lugares em disputa. Contados os votos das 55 federações-membro da UEFA, Proença teve apenas sete votos, ficando em último lugar na eleição.
O Comité Executivo, que normalmente se reúne por quatro vezes por ano, tem “o poder de adotar regulamentos e tomar decisões sobre todos os assuntos que não se encontrem sob jurisdição legal ou estatutário do congresso da UEFA ou de qualquer outro órgão”, lê-se nos estatutos da entidade máxima do futebol continental. É um órgão com o poder de “controlo geral” e de “supervisão” da administração da UEFA.
Desde 2007, Portugal esteve sempre representado no comité, com exceção do período entre 2011 e 2013. Mas agora Proença foi o menos votado, sendo eleitos o italiano Gabriele Gravina, o croata Marijan Kustić, o finlandês Ari Lahti, o arménio Armen Melikbekya, o neerlandês Frank Paauw, o estónio Aivar Pohlak e o alemão Hans-Joachim Watzke.
Antes da eleição, foram apresentados relatórios financeiros relativos ao último ano e, ainda conhecidas novidades quanto a futuros Mundiais femininos. A anunciada candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos a 2035 caiu, com o Reino Unido a ficar como única proposta para receber a competição.
Antes de Pedro Proença, houve quatro presidentes da Federação Portuguesa de Futebol a ocupar um lugar no Comité Executivo da UEFA. Pela primeira vez em mais de uma década, não haverá um representante nacional no órgão.
Num período de grandes mudanças no futebol internacional, e com decisões fundamentais sobre o Mundial 2030 a aproximarem-se, Portugal perde voz num centro de decisão. Em Belgrado, na plateia onde estava Pedro Proença, também se encontrava Fernando Gomes, na qualidade de membro do Conselho da FIFA. Foi, garante o próprio, o adeus ao percurso no futebol. Mas a guerra na cúpula do desporto português promete continuar.