Na sua maioria, as árvores não iam ser abatidas (25 em 75), antes transplantadas para locais próximos ou conservadas em local seguro enquanto decorresse a obra na Av. 5 de Outubro, sendo certo que após a conclusão, em 2027, não haverá carros estacionados à superfície, uma grande mancha verde, com um largo passeio pedonal ao centro da avenida, 69 jacarandás e mais umas dezenas de pereiras de jardim passariam a embelezar a zona entre o edifício Marconi e as Forças Armadas, em Lisboa. Mas a contestação e mediatização da retirada das primeiras árvores foi de tal forma inflamada e surda a todas as explicações que Carlos Moedas decidiu travar.

Agora, só três jacarandás serão levados para outras paragens, para cumprir passos urgentes da obra prevista, que, vinca, será cumprida, respeitando-se o compromisso contratual assumido. Mas os serviços competentes e os promotores do projeto foram instados a voltar a olhar para os procedimentos e tentar encontrar soluções que não obriguem a tocar nas árvores ali presentes.

"Depois de a CML ter já plantado 15 jacarandás na última semana, foi decidido que são autorizados apenas três dos transplantes de exemplares que se encontram numa zona crucial que obriga a trabalhos urgentes no subsolo para requalificação dos coletores de esgoto e condutas de água, que estão em risco e bastante degradados", lê-se no comunicado enviado nesta tarde pela CML. "Quanto a toda a restante intervenção para este eixo, foi pedido um novo esforço de reavaliação por parte dos serviços técnicos da Autarquia e do Promotor do projeto, procurando perceber se existe mais alguma possibilidade exequível que não tenha sido devidamente equacionada."

Os jacarandás transplantados irão para a Praça Andrade Caminha e para a Rua Marquês da Fronteira, sendo ainda levados mais dois plátanos que se encontram numa das ruas próximas, adianta ainda a CML, que torna a vincar "o compromisso alcançado com o promotor para a plantação de mais 200 jacarandás na cidade de Lisboa".

A mensagem de Moedas poderá descansar os mais de 50 mil peticionários que se opunham à retirada temporária das 25 árvores, relocalização de outras tantas e abate das que, segundo o relatório dos serviços ambientais, não cumpriam as condições de salubridade exigidas, mas não é isenta de críticas. "Ouvimos e prestámos máxima atenção aos argumentos de quem se manifestou de forma séria e ordeira contra a solução encontrada", lê-se na mesma comunicação, saudando a participação cívica ativa porque "as cidades devem ser participadas e as pessoas tidas em conta". "Mas as cidades também precisam de decisão, não de eternos adiamentos", lembra Moedas, lamentando que este caso tenha servido de "um previsível e claro aproveitamento político", com "outras formas de 'ativismos' a verem aqui um palco para ser aproveitado".

A CML lembra ainda a importância da Operação Integrada de Entrecampos "para a requalificação de uma parte importante da cidade de Lisboa, que se encontra adiada e sem solução há mais de 20 anos", tendo este projeto sido finalmente "aprovado em reunião da CML, no anterior executivo PS/Bloco de Esquerda", estando definido desde 2018. "Tudo o que foi feito na atual liderança foi procurar ao máximo corrigir erros do passado e melhorar o que podia ser melhorado e, em concreto, na Avenida 5 de Outubro, tudo fazer para salvaguardar, ao limite do possível, o eixo arbóreo", concretiza-se ainda no comunicado, destacando os esforços da autarquia para aumentar a mancha verde na cidade, comprovado, defende-se, pelas "mais de 46 mil árvores plantadas em apenas três anos deste executivo".

Projeto de Entrecampos prevê duplicar árvores na área

Nova Av. 5 de Outubro
Nova Av. 5 de Outubro créditos: DR

A obra da Av. 5 de outubro, integrada nos planos de Entrecampos, é necessária para a construção de um parqueamento público subterrâneo com lugar para 400 viaturas (15% serão avenças para moradores) e 100 bicicletas, com 20 postos de carregamento elétrico nos três pisos de subsolo. Passando os carros para debaixo do chão, liberta-se a superfície para criar uma zona verde e de lazer: no eixo central, um terço daquela avenida será, daqui a dois anos, ocupado com um jardim, áreas de sombra, arbustos decorativos, bancos e passagem pedonal, conforme se vê no projeto disponibilizado pela Fidelidade Properties (que se estende também à Av. da República e Rua Cordeiro de Sousa), com o número de árvores a duplicar para mais de 250 exemplares.

Esta condição foi garantida já sob a liderança de Carlos Moedas, com a autarquia lisboeta a rever as condições do projeto de forma a preservar e até aumentar a mancha verde naquela artéria de Lisboa, em vez de simplesmente retirar as árvores, conforme determinava o contrato inicial, firmado pelo executivo de PS e BE. Assinando em julho de 2022 com a Fidelidade Property, promotora o projeto de Entrecampos, o Acordo Endoprocedimental permitiu encontrar "soluções mais adequadas para conciliar o desenvolvimento das operações urbanísticas previstas na Hasta Pública aprovada em 2018/2019, com a preservação e o reforço da estrutura arbórea existente" (veja aqui como vai ficar).