Na terça-feira, o Ministério da Defesa informou que "por volta da meia-noite do dia 01 de abril" (mesma hora em Lisboa), uma unidade militar "detetou e abateu um drone de reconhecimento armado" perto de Tinzaouten, "após penetrar dois quilómetros no espaço aéreo" argelino.

"Esta operação de alta qualidade confirma mais uma vez o elevado nível de vigilância e a preparação constante das unidades do Exército Popular Nacional para proteger as nossas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas de qualquer ameaça à soberania nacional", acrescentou o ministério, num comunicado publicado na rede social Facebook.

O exército do Mali reconheceu que um dos seus drones caiu na zona, mas não confirmou se foi abatido pela Argélia.

Horas antes, a Frente de Libertação de Azawad (FLA, na sigla em francês), que reúne separatistas tuaregues ativos no norte do Mali, reivindicou o abate de um drone de fabrico turco 'Baykar Akinci', "operado pela junta terrorista de Bamako", em referência à junta militar no poder no Mali.

"Este veículo aéreo, controlado remotamente por terroristas da junta de Bamako e mercenários estrangeiros, era utilizado diariamente para atacar indiscriminada e cegamente civis e as suas propriedades em toda a região de Azawad", disse a FLA, na rede social X.

O porta-voz da FLA, Mohamed Elmaulud Ramadan, partilhou vídeos e imagens dos destroços do drone no seu perfil nas redes sociais.

"Depois de abater quase todos os caças norte-americanos Albatross e russos Sukhoi 25 adquiridos pela junta, a FLA está agora de olho nos drones turcos Akinci e TB2", disse Ramadan.

Rida Lyammouri, especialista em Sahel do Centro de Políticas para o Novo Sul, sediado em Marrocos, disse que o abate do drone refletiu frustrações latentes.

"Isto confirma as graves tensões entre os países e a relutância e tolerância zero da Argélia em permitir a utilização do seu espaço aéreo e território pelas forças malianas", disse.

O incidente ocorre numa altura em que as tensões aumentam entre a Argélia e os países do Sul, incluindo o Mali.

Em janeiro de 2024, o Governo do Mali decidiu pôr fim "com efeito imediato" à iniciativa de paz com grupos rebeldes tuaregues e árabes assinada em 2015, em Argel.

A Argélia, país vizinho do Mali, desempenhou um papel preponderante na mediação do regresso da paz no norte do Mali, no âmbito do "Acordo de Argel" de 2015 entre Bamako e os representantes dos principais grupos rebeldes (tuaregues e árabes).

Mas a norte do Mali tem sido palco desde agosto de 2024 de hostilidades contra o exército maliano, após anos de acalmia.

A crise agravou-se no final de 2023, quando o Mali acusou a Argélia de "instrumentalizar" o acordo de paz e de cidadãos malianos acusação de subversão ou terrorismo.

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